tenho um texto aqui que parece que foi escrito por um certo jornalista da década de oitenta
ao lado de seu vinho, parece mais uma declaração de descanso, ( pra alguns de descaso)
diriam talvez : " - como é casmurrento esse senhor ". é um textinho muito pouco singelo
aparentemente complexo. algo que se escuta daqueles que vivem falando mal dos outros
eu escrevi o texto.
faz uns três anos - fiquei com tanto nojo e raiva depois que o batizei de refluxo,
eis seus versos enfadonhos : refluxo
não consigo ver
o que vai ser de mim
e minhas atuações
o que resta é apenas
as pequenas tristezas
e sim, de tão pequenas
cabem nesse coração
quando vêm um segundo
e vêm-se de novo
e vence de novo
quase que imbatível
quase impassível
pra minha lógica
que não traz quase nada
a não ser palavra falada
o que vai ser de mim
se me toca o amor
e é a dor que não consigo negar
me faz de perdido
e me engana os sentidos
como nas peças de rua
não sei como vai ser
essa clássica tristeza
essa clássica esquiva
mantém uma aparência
perdida na verdade
quando eu não sei de nada
nem por que sofro
ou se deveras sinto
o transtorno em cada letra
que não significa mais nada
desfazem-se os homens
e os sonhos que nada mais podem
lamenta vagante
alma em cansaço
perante o escasso espaço
sobrado no tempo
sobraram demais devaneios
afogam-nos em cativeiro
no lugar sem lugar
e sem nada
mas nada de sem
e nada de tudo
e até nas letra de e.x.i.s.t.i.r.
e de onde sairam as respostas ?
e quem será que as espera agora ?
eu e o tempo seguimos perdidos
decaindo de precipícios
e seguimos nisso sem sinal
ou melhor, nesse acaso
anormal, "al paso"
alinear de tudo
quem sabe no fundo de um mar
nadando talvez
nadando no nada
nada, nada, nada, nada
nada, nada, nada, e nada mais, mais e mais
sequer existe pensar
ou algo que alcançar
sente ?
sente-se e diga
que somos quase iguais
quem sabe não é tão nojento assim. a gente tem costume de ser extremista, de definir fases pra nossa vida como se estivéssemos em uma corrida competindo e se aprimorando. por que tanta raiva do passado ? afinal é só um poema - são só palavras que pra alguém tenha talvez uma beleza. deixo-as aqui para lembrar do que outrora pensei, nas coisas que desvendei, enfim, naquilo que desconfiei.
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